terça-feira, 19 de junho de 2012

O maravilhoso corpo humano


VOCÊ FOI“FEITO MARAVILHOSAMENTE”

QUANDO você pensa nas coisas incríveis que os animais conseguem fazer, fica com um pouco de inveja? Gostaria de poder voar bem alto como um albatroz, nadar como um golfinho, enxergar como uma águia ou correr como um guepardo?
É verdade que os animais conseguem fazer coisas impressionantes. Mas nós também! Não é por nada que o corpo humano é chamado por alguns de “a máquina perfeita”. É claro que somos muito superiores a uma máquina. Temos criatividade, curiosidade, imaginação e engenhosidade. Graças a essas qualidades, podemos criar máquinas que tornam possível fazermos praticamente qualquer coisa que imaginarmos. Podemos voar, até mesmo mais rápido que a velocidade do som; navegar oceanos pela superfície ou por baixo dela; enxergar coisas a 14 bilhões de anos-luz no espaço; analisar o interior de uma célula viva; e desenvolver medicamentos, terapias e tecnologias que ajudam no diagnóstico e tratamento de doenças.

PROJETADO PARA CONSERVAR ENERGIA

Nossa postura ereta poupa bastante energia, pois exige pouca ação muscular para sustentar o alinhamento vertical do corpo. Segundo o neurocientista John R. Skoyles, nós ‘usamos apenas 7% a mais de energia quando estamos de pé do que quando estamos deitados’, em contraste com os cães, que usam 70% a mais de energia quando estão de pé (de quatro).
Um nadador dando um salto complexo
Mesmo com pouca ou nenhuma ajuda da tecnologia, pessoas saudáveis e bem treinadas conseguem realizar coisas impressionantes. Nos Jogos Olímpicos, por exemplo, atletas de modalidades como ginástica olímpica, salto ornamental, esqui e patinação no gelo executam movimentos incríveis com tanta arte, agilidade, criatividade e elegância que deixam o público fascinado.

domingo, 3 de junho de 2012

Navegando com o mar, o céu e o vent




VOCÊ tem medo de cair da borda da Terra? É provável que não. Contudo, há evidências de que no passado alguns marinheiros temiam exatamente isso. Muitos só navegavam mantendo terra firme à vista. Mas outros marujos, mais corajosos, deixaram seus temores para trás e rumaram para o mar aberto.
Há cerca de 3.000 anos, navegantes fenícios deixaram os portos de seu país, na costa oriental do Mediterrâneo, para negociar na Europa e no Norte da África. No quarto século AEC, um explorador grego chamado Píteas circunavegou toda a Grã-Bretanha e talvez tenha alcançado a Islândia. E muito tempo antes de os navios europeus entrarem no oceano Índico, marinheiros árabes e chineses vindos do Oriente já o atravessavam. De fato, o primeiro europeu a navegar para a Índia, Vasco da Gama, chegou lá com segurança contando com a ajuda de um piloto árabe, Ibn Majid, que guiou os navios portugueses na travessia de 23 dias pelo oceano Índico. Como aqueles navegadores antigos se orientavam no mar?

Quando a vida dependia da navegação por estima

Os primeiros marujos tinham de confiar na navegação por estima. Isso exigia que o navegador estivesse a par de três informações, conforme a gravura abaixo: (1) o ponto de partida do navio, (2) a velocidade e (3) o rumo (direção do movimento). Saber o ponto de partida era fácil. Mas como se poderia determinar o rumo?
Em 1492, Cristóvão Colombo usou uma bússola para verificar seu rumo. Mas as bússolas só se tornaram disponíveis na Europa no século 12 EC. Sem a bússola, os navegadores consultavam o Sol e as estrelas. Quando nuvens ocultavam a visão, os marinheiros orientavam-se pelas vagas oceânicas longas e regulares produzidas por ventos constantes. Eles prestavam atenção à posição do nascente e do poente do Sol e das estrelas em relação a essas vagas.
E como eles estimavam a velocidade? Um modo era medir o tempo que o navio levava para passar por um objeto que alguém na proa jogasse na água. Posteriormente, um método mais preciso envolvia soltar no mar um pedaço de madeira amarrado a uma corda graduada por nós feitos a intervalos regulares. A madeira, flutuando na água, puxava a corda conforme o navio avançava. Depois de um tempo predeterminado, a corda era recolhida e os nós que haviam sido puxados pela madeira eram contados. Este número indicava a velocidade do navio em nós — milhas marítimas por hora— unidade de medida que ainda é utilizada hoje em dia. Sabendo a velocidade, o navegador poderia calcular a distância percorrida pelo navio em um dia. Em uma carta náutica, um mapa do mar, ele traçava então uma linha para indicar seu avanço ao longo do rumo escolhido.
É claro que correntes marinhas e ventos laterais podiam desviar o navio do curso. Por isso, o navegador calculava e anotava periodicamente as correções de rumo necessárias para manter o navio na direção certa. Todo dia ele continuava a anotar de onde havia parado— medindo, calculando e marcando no mapa o trecho percorrido. Quando o navio finalmente soltava âncora, essas anotações diárias formavam um registro permanente de como havia chegado ao seu destino. Foi navegando por estima que Colombo fez o trajeto de ida e volta entre a Espanha e a América do Norte há mais de 500 anos. Suas cartas cuidadosamente traçadas tornam possível que navegantes atuais refaçam sua viagem memorável.
 

Navegação por estima

A navegação por estima era documentada meticulosamente para viagens futuras

Ponto de partida

Diagrama: Navegação por estima

Velocidade

Medida com um pedaço de madeira, uma corda graduada por nós feitos a intervalos regulares e uma ampulheta

Rumo

Determinado pela observação das correntes marítimas, das estrelas, do Sol e do vento para se chegar ao destino desejado
1.Pedaço de Madeira; 2.Corda; 3.AmpulhetaBússolaSextante
 BússolaSextante

Navegando de olho no céu

Como os antigos navegadores usavam os corpos celestes para guiar suas embarcações? O nascente e o poente indicavam o leste e o oeste. Ao amanhecer, os marinheiros podiam perceber o aparente desvio do Sol em relação ao dia anterior, comparando a localização do nascente com as estrelas que se desvaneciam. À noite, podiam determinar sua posição observando a Estrela Polar, que parece ficar quase que diretamente acima do Pólo Norte após o anoitecer. No Hemisfério Sul, uma constelação brilhante conhecida como Cruzeiro do Sul ajudava-os a localizar o Pólo Sul. De modo que, numa noite de céu limpo, navegantes de todos os mares podiam verificar seu rumo usando pelo menos um ponto de referência no céu.
Mas esses não eram os únicos marcos estelares. Os polinésios e outros marinheiros do Pacífico, por exemplo, podiam ler o céu noturno como se fosse um mapa rodoviário. Uma de suas técnicas envolvia estabelecer um rumo em direção ao nascente ou ao poente de alguma estrela, que eles sabiam estar na mesma direção do seu destino. Durante toda a noite, esses navegadores também verificavam a posição relativa de outras estrelas para ter certeza de que estavam viajando na direção certa. Se o seu rumo estivesse errado, o céu mostrava-lhes como corrigi-lo.
Esse sistema era confiável? Numa época em que os marinheiros europeus costumavam navegar próximo ao litoral com medo de despencar da borda de uma Terra plana, os marujos do Pacífico, ao que tudo indica, faziam longas travessias no meio do oceano entre ilhotas minúsculas. Por exemplo, mais de 1.500 anos atrás, navegadores polinésios deixaram as ilhas Marquesas e rumaram para o norte, atravessando o enorme oceano Pacífico. Quando desembarcaram no Havaí, haviam viajado 3.700 quilômetros! O folclore das ilhas conta as idas e vindas dos antigos polinésios entre o Havaí e o Taiti. Alguns historiadores dizem que esses relatos não passam de lendas. Apesar disso, marinheiros da atualidade conseguiram refazer a viagem, orientando-se pelas estrelas, vagas oceânicas e outros fenômenos naturais — seminstrumentos.

Na carona do vento

Os navios a vela ficavam à mercê dos ventos. Uma brisa vinda de trás movia o barco muito bem, mas um vento desfavorável atrasava consideravelmente a viagem. Quando não havia vento, como nas freqüentes calmarias equatoriais, o navio não avançava. Com o tempo, os marinheiros descobriram ventos oceânicos predominantes que os ajudaram a estabelecer vias expressas para navios a vela em alto-mar. Os navegadores aproveitavam bem esses ventos.
É claro que ventos contrários poderiam resultar em miséria e morte. Por exemplo, quando Vasco da Gama fez a viagem de Portugal para a lendária costa do Malabar, na Índia, em 1497, ventos predominantes o levaram Atlântico Sul adentro e depois de volta para o sudeste, contornando o cabo da Boa Esperança, na África. Mas no oceano Índico ele se deparou com as monções — ventos que mudam de sentido conforme a estação. No início do ano, a monção de verão origina-se do sudoeste do oceano Índico e durante meses sopra tudo que flutua para a Ásia. No fim do outono, é a vez da monção de inverno. Vinda do nordeste, sopra vigorosamente de volta para a África. Visto que Vasco da Gama partiu de volta da Índia em agosto, logo enfrentou ventos desfavoráveis. Em vez dos 23 dias que precisou na travessia para o leste, a viagem de volta levou cerca de três meses. Devido ao atraso, a comida fresca acabou e muitos homens morreram de escorbuto.
Navegadores precavidos do oceano Índico aprenderam a consultar também o calendário, e não só a bússola. Navios que fossem viajar para o leste, pelo cabo da Boa Esperança, deviam partir para a Índia até o início do verão, a fim de não correr o risco de ter de esperar meses para conseguir ventos favoráveis. Para fazer o trajeto no sentido contrário, os capitães deviam sair da Índia para a Europa no fim do outono, para evitar a luta contra a monção de verão. Assim, o tráfego marítimo do oceano Índico entre a Europa e a costa do Malabar, na Índia, era como uma rua de mão única, ora num sentido, ora no outro.

A navegação continua avançando

Com o passar do tempo, a arte de navegar tomou novos rumos. Instrumentos mecânicos começaram a tornar os navegadores menos dependentes das observações a olho nu e das conjecturas. O astrolábio, e depois o sextante,mais preciso — aparelhos que mediam a elevação do Sol ou de uma estrela acima do horizonte — permitiam que os marinheiros achassem sua latitude ao norte ou ao sul do Equador. O cronômetro marítimo — um relógio confiável, próprio para a navegação — deu-lhes condições de determinar a longitude, sua posição ao leste ou ao oeste de Greenwich. Tais instrumentos possibilitavam uma orientação muito mais exata do que a navegação por estima.
Hoje em dia, bússolas giroscópicas indicam o norte sem uma agulha magnética. O Sistema de Posicionamento Global pode fornecer a localização exata de alguém apertando-se alguns botões. Mostradores eletrônicosmuitas vezes substituem cartas náuticas de papel. Como se pode ver, a navegação tornou-se uma ciência exata. Mas todos esses avanços só aumentam o nosso respeito pela coragem e habilidade dos antigos marinheiros, que guiavam os barcos através da imensidão dos oceanos apenas com seu conhecimento do mar, do céu e do vento

O HOMEM QUE MAPEOU O MUNDO

Gerardus Mercator



No início de 1544, Gerardus Mercator encontrava-se preso numa cela fria e escura. Ele achava que estava para morrer. Como o maior cartógrafo do século 16 foi parar nessa situação? Para saber a resposta, vejamos primeiro alguns detalhes sobre sua vida e o mundo de seus dias.
MERCATOR nasceu em 1512, em Rupelmonde, um pequeno porto próximo a Antuérpia, na Bélgica. Ele se formou na Universidade de Leuven e começou a estudar os conceitos de Aristóteles. Não demorou muito e sentiu-se incomodado por não conseguir conciliar os ensinamentos de Aristóteles com os da Bíblia. Mercator escreveu: “Quando vi que a versão de Moisés para o início do mundo não se harmonizava em muitos aspectos com as idéias de Aristóteles e de outros filósofos, comecei a ter dúvidas sobre os ensinamentos de todos os filósofos e passei a estudar os segredos da natureza.”
Visto que não queria ser filósofo, Mercator desistiu de dar prosseguimento aos estudos universitários. Mas passou o resto de sua vida buscando evidências que apoiassem o relato bíblico da criação.

Recorreu à geografia

Em 1534, Mercator começou a estudar matemática, astronomia e geografia sob a orientação do matemático Gemma Frisius. Além disso, pode ser que Mercator tenha aprendido a arte da gravura em metal com Gaspar Van der Heyden, um gravador e fabricante de globos. No início do século 16, os cartógrafos usavam um estilo gótico de letras, o que limitava o espaço para escrever informações nos mapas. Mas Mercator adotou um novo estilo de escrita cursiva da Itália, chamado itálico, que foi muito útil na confecção de globos.
Em 1536, Mercator trabalhou como gravador ao lado de Frisius e Van der Heyden na produção de um globo terrestre. O belo estilo de escrita cursiva de Mercator contribuiu para o sucesso do projeto. Nicholas Crane, um atual biógrafo de Mercator, escreveu que, enquanto um cartógrafo “conseguiu colocar 50 nomes de lugares do continente americano num mapa de parede cuja largura era da altura de um homem, Mercator colocou 60 nomes numa esfera de dois palmos de diâmetro”!

A PROJEÇÃO DE MERCATOR

O sistema de projeção de Mercator pode ser comparado a um cilindro desenrolado sobre o qual o mundo é projetado
A projeção de Mercator
Já tentou achatar a casca de uma laranja? É claro que é impossível fazer isso sem deformá-la. Esse exemplo ilustra o problema que os cartógrafos enfrentam — o de projetar um globo (a Terra) num mapa plano. Mercator resolveu isso por criar o que hoje é conhecido como projeção de Mercator. Nesse método, as linhas que formam os graus de latitude desde o equador até os pólos estão espaçadas de modo proporcional. Embora distorça distâncias e tamanhos (principalmente em direção aos pólos), esse sistema foi um grande avanço na área da cartografia. O mapa-múndi de parede feito por Mercator em 1569 foi uma obra-prima que aumentou sua fama de cartógrafo. Na realidade, seu método de projeção ainda é usado em mapas de oceanos e pelo moderno GPS.

Surge um cartógrafo

Em 1537, Mercator completou seu primeiro “trabalho sozinho” — um mapa da Terra Santa, com a intenção de contribuir para um “melhor entendimento dos dois testamentos”. No século 16, os mapas da Terra Santa não tinham nenhuma precisão. Alguns identificavam menos de 30 lugares — muitos dos quais com a localização errada. O mapa de Mercator, porém, identificava mais de 400 lugares! Além disso, mostrava o trajeto feito pelos israelitas no deserto depois do Êxodo. Por causa de sua precisão, esse mapa era muito admirado por vários contemporâneos de Mercator.
Animado com seu sucesso, Mercator publicou um mapa-múndi em 1538. Antes disso, projetistas de mapas sabiam pouco sobre a América do Norte e a chamavam de Distante Terra Desconhecida. Embora o nome geográfico “América” já existisse, Mercator foi o primeiro a usá-lo em referência à América do Norte e do Sul.
Mercator viveu num período em que os oceanos estavam sendo explorados e muitas terras estavam sendo descobertas. Visto que navegadores espalhavam informações contraditórias, a tarefa de fazer mapas era quase impossível, e os cartógrafos então tinham de adivinhar como seriam certas partes dos mapas. No entanto, em 1541, Mercator finalmente conseguiu elaborar “um globo mais completo do que os feitos até então”.

Acusado de heresia

Havia muitos luteranos em Leuven, onde Mercator morava. Em 1536, ele se identificou com o luteranismo, e parece que sua esposa mais tarde se tornou luterana. Em fevereiro de 1544, Mercator foi preso com outros 42 cidadãos de Leuven sob acusação de escrever “cartas suspeitas”. Mas pode ser também que a publicação do mapa da Terra Santa tenha suscitado a desconfiança de Ruard Tapper e Jacobus Latomus, teólogos da Universidade de Leuven. Os dois haviam presidido o julgamento de William Tyndale, um tradutor da Bíblia que foi executado em Antuérpia, em 1536. Talvez Tapper e Latomus estivessem preocupados que o mapa da Terra Santa de Mercator, assim como a tradução de Tyndale, incentivasse à leitura da Bíblia. De qualquer forma, Mercator foi encarcerado no castelo de Rupelmonde, sua cidade natal.
Mapa da Terra Santa de Mercator
O mapa da Terra Santa de Mercator, de 1537, identificava mais de 400 lugares
Antoinette Van Roesmaels, uma das pessoas acusadas, testificou que Mercator nunca se havia reunido com os protestantes para ler a Bíblia. Mas visto que ela mesma havia feito isso, foi enterrada viva e sofreu morte lenta por asfixia. Mercator foi libertado depois de sete meses de encarceramento, mas todos os seus pertences foram confiscados. Em 1552, Mercator mudou-se para Duisburg, Alemanha, onde havia mais tolerância religiosa.

O primeiro atlas

Mercator continuou a defender o relato bíblico da criação. Ele dedicou a maior parte de sua vida a fazer uma síntese de toda a criação “do céu e da Terra, do princípio dos tempos até o presente”, como ele mesmo disse. Essa obra continha informações cronológicas e geográficas.
Em 1569, Mercator publicou uma lista dos eventos históricos mais importantes desde a criação em diante, intitulada Chronologia, a primeira parte de sua síntese. O objetivo dele era ajudar os leitores a entender onde se encontravam no tempo e na História. No entanto, visto que Mercator havia incluído em seu livro o protesto feito por Martinho Lutero em 1517 contra as indulgências,Chronologia foi alistada entre os livros proibidos pela Igreja Católica.

MERCATOR — UM ESTUDANTE APLICADO DA BÍBLIA

Mercator acreditava que a Terra se tornaria um lugar de justiça, paz e prosperidade. Escreveu um comentário não-publicado sobre os capítulos 1-11 de Romanos em que ele refutava a idéia calvinística da predestinação. É interessante que ele também discordava de Martinho Lutero e disse que além da fé é preciso ter obras para a salvação. Mercator escreveu numa carta que o pecado “não vem dos planetas [astrologia] nem de alguma inclinação natural originada por Deus, mas somente do livre-arbítrio do homem”. Em sua carta, ele rejeitou o dogma católico-romano da transubstanciação, dizendo que as palavras de Jesus “isto é o meu corpo” não deveriam ser interpretadas literalmente, mas de modo simbólico.
Nos anos que se seguiram, Mercator passou muito tempo desenhando e gravando chapas para a impressão dos mapas de sua nova geografia. Em 1590, por causa de um derrame, Mercator perdeu a fala e ficou com o lado esquerdo paralisado, dificultando extremamente a continuação do seu trabalho. Mas ele estava determinado a completar a obra a que havia dedicado sua vida inteira, e continuou trabalhando nela até sua morte, em 1594, aos 82 anos. O filho de Mercator, Rumold, finalizou cinco mapas de seu pai. A coleção completa dos mapas de Mercator foi publicada em 1595. Foi a primeira coleção a levar o nome atlas.
O Atlas de Mercator continha um estudo do primeiro capítulo de Gênesis, por meio do qual defendia a autenticidade da Palavra de Deus em meio à oposição dos filósofos. Mercator chamou esse estudo de “o objetivo de todo o meu trabalho”.

“O maior geógrafo de nossos tempos”

Uma edição ampliada do Atlas, publicada por Jodocus Hondius em 1606, foi impressa em muitos idiomas e se tornou um best-seller. Abraham Ortelius, um cartógrafo do século 16, chamou Mercator de “o maior geógrafo de nossos tempos”. Mais recentemente, o escritor Nicholas Crane o descreveu como “o homem que mapeou o planeta”.
O legado de Mercator ainda tem influência em nosso dia-a-dia. Por exemplo, sempre que usamos um atlas ou o Sistema de Posicionamento Global (GPS), estamos sendo beneficiados pelos trabalhos de Mercator, um homem notável que a vida inteira procurou saber que lugar ocupava na criação de Deus.
Mapa-múndi de Mercator
O mapa-múndi de Mercator, de 1538
Note o nome “AMERI CAE” no norte e no sul do continente americano

AQUECIMENTO GLOBAL





Algo está errado?

“Veu Lesa, um aldeão de 73 anos em Tuvalu, não precisa de relatórios científicos para saber que o nível do mar está subindo”, diz o jornal The New Zealand Herald. “As praias de seu tempo de infância estão desaparecendo. A água salgada matou as plantações que alimentavam sua família. Em abril [de 2007], ele teve de deixar sua casa quando uma maré alta a inundou e as ondas despejaram nela pedras e entulho.”
Para as pessoas de Tuvalu, um arquipélago no máximo a 4 metros acima do nível do mar, o aquecimento global não é mera teoria, mas “uma realidade diária”, diz o jornalHerald.* Milhares de habitantes já deixaram as ilhas e muitos outros estão se preparando para fazer isso.
Ao mesmo tempo, Robert, que mora em Brisbane, Austrália, só pode regar seu jardim em certos dias, usando um balde em vez de uma mangueira. E, a menos que leve seu carro para lavar num posto que recicla a água, ele só pode lavar algumas partes do carro: placas, espelhos e janelas. Por que essas restrições? Robert mora numa parte do país que está enfrentando uma seca, considerada a pior nos últimos cem anos. Em outras regiões, a situação é ainda mais grave. Será que os problemas na Austrália e em Tuvalu são evidências do aquecimento global?

Quais as previsões

Muitos acreditam que as atividades humanas são uma das principais causas do aquecimento global, que pode ter conseqüências catastróficas sobre o clima e o meio ambiente. Por exemplo, o derretimento em grande escala das geleiras e a expansão dos oceanos por causa do aumento da temperatura das águas podem fazer o nível do mar subir vertiginosamente. Ilhas baixas como Tuvalu talvez desapareçam, e também grandes partes da Holanda e da Flórida, para mencionar apenas duas outras regiões. Milhões de pessoas talvez tenham de abandonar lugares como Xangai, Calcutá e partes de Bangladesh.
O aumento da temperatura também pode intensificar tempestades, inundações e secas. No Himalaia, geleiras das regiões que abastecem sete sistemas fluviais estão desaparecendo, o que pode causar falta de água para 40% da população do mundo. Também estão em perigo milhares de espécies de animais, incluindo ursos-polares, que em geral caçam no gelo. De fato, já existem relatórios indicando que há muitos ursos perdendo peso e alguns até morrendo de fome.
Outro efeito causado pelo aumento da temperatura é que mosquitos, carrapatos e outros organismos patogênicos, incluindo fungos, talvez se alastrem por outras regiões, disseminando doenças. “As mudanças climáticas são uma ameaça quase tão terrível quanto as armas nucleares”, diz a revista Bulletin of the Atomic Scientists. “A curto prazo, os efeitos podem não ser tão graves . . . , mas nas próximas três ou quatro décadas as mudanças climáticas talvez causem danos irremediáveis aos habitats dos quais as sociedades humanas dependem para sobreviver.” No entanto, alguns cientistas acreditam que a situação é pior ainda, porque para eles as mudanças atribuídas ao aquecimento global estão ocorrendo mais rápido do que esperavam.
Devemos acreditar nessas previsões? Será que a vida na Terra está mesmo ameaçada? Os que duvidam do aquecimento global dizem que essas previsões terríveis não têm base. Outros não sabem no que acreditar. Assim, qual é a verdade? O futuro da Terra — e o nosso — está em perigo?

*  “Aquecimento global” refere-se ao aumento geral da temperatura da atmosfera e dos oceanos.

Fascinantes rosas DA ÁFRICA


DO REDATOR DE DESPERTAI! NO QUÊNIA
“As flores mais lindas que já vi!”
“O melhor presente para dar a uma pessoa querida.”
“Uma maneira de dizer: ‘Alguém se importa.’”
TALVEZ você tenha sentimentos parecidos aos citados acima, expressos por alguns habitantes de Nairóbi, Quênia. De todas as plantas floríferas, tanto as silvestres como as cultivadas, talvez nenhuma outra tenha conquistado tanto renome internacional como a rosa. Ela tem despertado a curiosidade do homem por séculos. Poetas escrevem a seu respeito e artistas muitas vezes a retratam em seus trabalhos. Shakespeare a exaltou no famoso trecho de Romeu e Julieta : “Que é um nome? Se outro nome tivesse a rosa, em vez de rosa, deixaria de ser por isso perfumosa?” Graças à rosa, novas amizades foram desenvolvidas e fortalecidas, problemas em relacionamentos foram resolvidos e muitas pessoas doentes foram reanimadas.
Além de tudo isso, a rosa tem um grande valor econômico. Em muitos países, onde as condições climáticas favorecem o cultivo de flores, a rosa é a que gera mais divisas estrangeiras. No Quênia, por exemplo, entre milhões de flores exportadas num ano recente, mais de 70% eram rosas, o que fez do país um dos principais produtores do mundo.
No passado, antes de o homem descobrir as fascinantes qualidades dessa flor, a roseira crescia em abundância sem ser cultivada. Nos tempos atuais, por meio de métodos de cruzamento cuidadosamente controlados, algumas das mais de cem espécies silvestres foram cruzadas para produzir as milhares de variedades conhecidas hoje. Por causa disso, a rosa se tornou popular em todo mundo e pode ser encontrada em quase todos os países da Terra. As mais populares e amplamente cultivadas são as rosas híbridas-de-chá.

Da fazenda ao seu vaso

A maioria das pessoas compram rosas numa floricultura ou num supermercado. Essas flores são cultivadas comercialmente em grandes fazendas e exigem muito mais atenção do que as plantadas no jardim de uma casa. Ao visitarmos uma dessas fazendas perto de Nairóbi, descobrimos como dá trabalho preparar essas flores para a venda.
Rosas em uma estufa
Estufa de polietileno
Aqui, como em outros lugares no Quênia, estufas meticulosamente feitas com um plástico chamado polietileno identificam logo uma fazenda comercial de rosas. Essas estruturas têm várias funções. As rosas recém-enxertadas são delicadas e precisam de proteção contra climas rigorosos. Chuvas fortes, vento ou luz solar direta podem causar-lhes muito dano. Para manter a temperatura estável, é necessário que o ar fresco entre na estufa com facilidade e que o ar quente saia.
Dentro das estufas há fileiras de flores jovens em diferentes estágios de crescimento. Nesta fazenda, são cultivadas várias espécies de rosas, desde a popular híbrida-de-chá, que é cortada com um pouco mais de 70 centímetros, até a espécie Cecile brunner, um tipo específico de híbrida-de-chá, cortada com 35 centímetros de comprimento. Nesta área de 1 hectare, talvez estejam sendo cultivadas até 70 mil roseiras.
Como as plantas recebem seus nutrientes? Não se usa solo comum. O canteiro de flores é feito de pedras-pomes (pedras vulcânicas) colocadas sobre superfícies forradas com polietileno. Esse é o método mais usado, pois as pedras não têm as doenças comuns ao solo. Para regar as plantas, usa-se a irrigação gota-a-gota. Nesse método, pequenos canos são colocados nos canteiros, liberando água e outros nutrientes em quantidades bem reguladas. Sendo poroso, o material vulcânico permite que a água escoe da superfície plástica e daí seja coletada e reutilizada.
Apesar dos cuidados especiais, as rosas podem ser contaminadas por várias doenças, causadas principalmente por fungos. Esses incluem o botrítis e o bolor, que atacam as folhas e a haste das plantas. Se não forem controladas, essas doenças podem prejudicar a qualidade da flor. A aplicação de fungicidas ajuda a controlar o problema.
Rosas prontas para colheita
Prontas para ser colhidas
Com o passar do tempo, as rosas começam a apresentar cores vivas, indicando que estão prontas para ser colhidas. São cortadas com cuidado antes que os botões desabrochem. A essa altura, as pétalas ainda não se abriram. Colher as flores nessa hora faz com que elas durem mais e retenham a cor por mais tempo. No entanto, dependendo da espécie, o estágio de colheita pode variar um pouco. É fundamental que a flor seja cortada ou pela manhã, ou no fim da tarde, quando a umidade é alta e elas demoram mais para murchar. As flores colhidas são colocadas numa câmara fria para o pré-esfriamento. Isso também garante que as rosas permaneçam frescas por um período mais longo.
As flores passarão por mais uma fase essencial — o estágio de classificação. Aqui são separadas por cor e tamanho. A embalagem é feita de acordo com o pedido do comprador. Por fim, as flores estão prontas para ser enviadas. Desta fazenda, elas são transportadas até o aeroporto principal de Nairóbi e dali exportadas para a Europa, a milhares de quilômetros de distância. Visto que são altamente perecíveis, as flores devem chegar ao mercado, local ou internacional, dentro de 24 horas depois de colhidas